Série Pensadores Cristãos 2: Jürgen Moltmann
Se há um homem que pode, sem nenhuma injustiça, ser considerado o maior símbolo vivo da Teologia, esse homem é Jürgen Moltmann. Isso se dá tanto pela sua história de vida quanto pela sua mente impressionante.
Existe uma coisa chamada “quase”, que significa muitas vezes, a diferença entre viver e morrer, ser e não ser, conseguir ou não conseguir.
Bem, foi uma providência de Deus para a vida de um homem que quase morreu na segunda guerra mundial. Mais tarde ele seria considerado um dos maiores teólogos dos séculos XX e XXI.
Nada melhor que as palavras dele mesmo para descrever a situação desesperadora em que se encontrara:
“Éramos como sobreviventes. Foi da morte em massa da guerra mundial que escapamos. Para cada um que sobreviveu a isso caem centenas de mortos. Para que sobrevivemos a isso e não estamos mortos como os demais? Em julho de 1943 fui ajudante da Força Aérea numa bateria antiaérea no centro de Hamburgo, e por pouco sobrevivi ao ataque desfechado pela “operação Gomorra” da Royal Air Force no leste daquela cidade. O amigo que estava a meu lado no equipamento de comando foi estraçalhado pela bomba que me poupou. Aquela noite clamei pela primeira vez por Deus: Meu Deus, onde estás? Desde então fui perseguido pela pergunta: Por que não estou morto também? Para que vivo? O que dá sentido à minha vida? É bom viver, porém é duro ser um sobrevivente. É preciso suportar o peso do luto. É provável que minha teologia tenha começado aquela noite, pois sou originário de uma família secularizada e não conhecia a fé. Provavelmente, todos os que escaparam consideraram o fato da sobrevivência não apenas uma dádiva, mas também uma incumbência.”
Após a Segunda Guerra a Primeira Esperança
Ele foi prisioneiro de guerra do ingleses desde 1945. Chegado a Norton Camp, encontrou um lugar de esperança, algo que lhe devolveu a vontade de viver. Lá ele viu a face do perdão, mesmo sendo anterior inimigo da Inglaterra, agora acessava seus primeiros livros de Teologia e era tratado como ser humano.
Voltado de seu exílio prisional em 1948, optou por estudar teologia em Göttingen, tendo professores como o histórico teólogo do Antigo Testamento, Gerard Von Rad, e Otto Weber, grande especialista da dogmática de Barth, que Moltmann quase pensou ter colocado um ponto final no que se havia de falar teologicamente.
Mas talvez, a maior influência de sua vida foi o contato com o professor Adolf Van Ruler, que lhe mostrou de forma para ele inédita, um caminho teológico a seguir, com o tema do Reino de Deus e da Esperança.
Somado isto ao seu encontro com o filósofo Ernst Bloch, grande conhecedor da Bíblia e conhecido também como filósofo da esperança.
Uma Teologia para o Futuro: Porque Deus não Morreu
Após o fim da segunda guerra mundial, levantaram-se várias correntes de pensamento que negaram ao Deus cristão.
Nas ciências biológicas tivemos o darwinismo.
Na filosofia tivemos Nietzshe, que afirmou a “morte de Deus”, crítico ferrenho do cristianismo.
Nas ciências econômicas e sociais, Karl Marx apresentou o materialismo histórico.
Havia porém, uma linha de pensamento teológico, no mínimo curiosa, chamada teologia da morte de Deus. Ela não respirou por muito tempo, mas teve repercussão, e acabou por manifestar o sentimento pessimista e ressentido da época. Seus maiores expoentes foram Altizer, Paul van Buren, William Hamilton e Gabriel Vahanian.
Para eles, é como se o Deus de outrora tivesse sido derrotado, ou simplesmente deixado a humanidade à mercê do acaso.
Assim, deixou-se uma lacuna para a Teologia da Esperança, com uma resposta a todas as vertentes que diziam o contrario.
Deus está ainda conosco, nos acompanha nos sofrimentos e manifesta vida entre as pessoas e as comunidades. No seu pensamento, vemos uma escatologia voltada para o futuro na Terra. Uma esperança do Reino de Deus “aqui”. O loco da escatologia dele não se foca no céu. E sim num futuro do ser humano enquanto ser humano.
Na Teologia da esperança, a esperança se transforma em chave hermenêutica para a compreensão da vida e mesmo da Bíblia. Na se fala sobre esperança, se fala a partir dela.
A história do que está por vir era sua preocupação. Moltmann queria trazer uma forte sistemática baseada na Esperança e em acordo com a Bíblia, com o objetivo prático de tornar a convivência humana mais justa, pacífica e com mais diálogo.
Para tanto, sua teologia possui um viés pneumatológico marcante. O livro Espírito da Vida: uma pneumatologia integral é uma obra marcante e importante para a compreensão da importância do Espírito na teologia de Moltmann.
O diálogo como uma forma de promover a paz e a justiça dá à Teologia da Esperança um aspecto ecumênico. Nisso se pressupõe que o Espírito de Deus sopra livremente a todos e em todas as geografias o quanto quiser.
O que faz a letra viver?
As palavras muitas vezes parecem mortas pois não possuem por trás de si uma vida. A coisa que tem mais capacidade de fornecer sentido ao que falamos é a vida que vivemos.
Moltmann é um homem acadêmico, doutor, grande pensador cristão, mas o que lhe diferenciou muito dos outros teólogos foi sua experiência de vida.
Não é difícil perceber que a teologia de Jurgen Moltmann procede, em muito, daquilo que ele começou a viver em Norton Camp, e permaneceu experimentando durante sua trajetória.
Peço a Deus que possamos eu e você, sermos cada vez mais cristãos de letra viva, que transformam carne e sangue em tinta no papel e voz ao ouvidos de quem precisa.
E você? Qual experiência de vida a Teologia pode potencializar em sua vida a ponto de tornar-se uma referência para todos ao seu redor?
A experiência de vida é sua… A formação teológica é por nossa conta!
Colaboração
Pr. Lucas Santos Barbosa
lucasantosbarbosa25@gmail.com
Existe uma coisa chamada “quase”, que significa muitas vezes, a diferença entre viver e morrer, ser e não ser, conseguir ou não conseguir.
Bem, foi uma providência de Deus para a vida de um homem que quase morreu na segunda guerra mundial. Mais tarde ele seria considerado um dos maiores teólogos dos séculos XX e XXI.
Nada melhor que as palavras dele mesmo para descrever a situação desesperadora em que se encontrara:
“Éramos como sobreviventes. Foi da morte em massa da guerra mundial que escapamos. Para cada um que sobreviveu a isso caem centenas de mortos. Para que sobrevivemos a isso e não estamos mortos como os demais? Em julho de 1943 fui ajudante da Força Aérea numa bateria antiaérea no centro de Hamburgo, e por pouco sobrevivi ao ataque desfechado pela “operação Gomorra” da Royal Air Force no leste daquela cidade. O amigo que estava a meu lado no equipamento de comando foi estraçalhado pela bomba que me poupou. Aquela noite clamei pela primeira vez por Deus: Meu Deus, onde estás? Desde então fui perseguido pela pergunta: Por que não estou morto também? Para que vivo? O que dá sentido à minha vida? É bom viver, porém é duro ser um sobrevivente. É preciso suportar o peso do luto. É provável que minha teologia tenha começado aquela noite, pois sou originário de uma família secularizada e não conhecia a fé. Provavelmente, todos os que escaparam consideraram o fato da sobrevivência não apenas uma dádiva, mas também uma incumbência.”
Após a Segunda Guerra a Primeira Esperança
Ele foi prisioneiro de guerra do ingleses desde 1945. Chegado a Norton Camp, encontrou um lugar de esperança, algo que lhe devolveu a vontade de viver. Lá ele viu a face do perdão, mesmo sendo anterior inimigo da Inglaterra, agora acessava seus primeiros livros de Teologia e era tratado como ser humano.
Voltado de seu exílio prisional em 1948, optou por estudar teologia em Göttingen, tendo professores como o histórico teólogo do Antigo Testamento, Gerard Von Rad, e Otto Weber, grande especialista da dogmática de Barth, que Moltmann quase pensou ter colocado um ponto final no que se havia de falar teologicamente.
Mas talvez, a maior influência de sua vida foi o contato com o professor Adolf Van Ruler, que lhe mostrou de forma para ele inédita, um caminho teológico a seguir, com o tema do Reino de Deus e da Esperança.
Somado isto ao seu encontro com o filósofo Ernst Bloch, grande conhecedor da Bíblia e conhecido também como filósofo da esperança.
Uma Teologia para o Futuro: Porque Deus não Morreu
Após o fim da segunda guerra mundial, levantaram-se várias correntes de pensamento que negaram ao Deus cristão.
Nas ciências biológicas tivemos o darwinismo.
Na filosofia tivemos Nietzshe, que afirmou a “morte de Deus”, crítico ferrenho do cristianismo.
Nas ciências econômicas e sociais, Karl Marx apresentou o materialismo histórico.
Havia porém, uma linha de pensamento teológico, no mínimo curiosa, chamada teologia da morte de Deus. Ela não respirou por muito tempo, mas teve repercussão, e acabou por manifestar o sentimento pessimista e ressentido da época. Seus maiores expoentes foram Altizer, Paul van Buren, William Hamilton e Gabriel Vahanian.
Para eles, é como se o Deus de outrora tivesse sido derrotado, ou simplesmente deixado a humanidade à mercê do acaso.
Assim, deixou-se uma lacuna para a Teologia da Esperança, com uma resposta a todas as vertentes que diziam o contrario.
Deus está ainda conosco, nos acompanha nos sofrimentos e manifesta vida entre as pessoas e as comunidades. No seu pensamento, vemos uma escatologia voltada para o futuro na Terra. Uma esperança do Reino de Deus “aqui”. O loco da escatologia dele não se foca no céu. E sim num futuro do ser humano enquanto ser humano.
Na Teologia da esperança, a esperança se transforma em chave hermenêutica para a compreensão da vida e mesmo da Bíblia. Na se fala sobre esperança, se fala a partir dela.
A história do que está por vir era sua preocupação. Moltmann queria trazer uma forte sistemática baseada na Esperança e em acordo com a Bíblia, com o objetivo prático de tornar a convivência humana mais justa, pacífica e com mais diálogo.
Para tanto, sua teologia possui um viés pneumatológico marcante. O livro Espírito da Vida: uma pneumatologia integral é uma obra marcante e importante para a compreensão da importância do Espírito na teologia de Moltmann.
O diálogo como uma forma de promover a paz e a justiça dá à Teologia da Esperança um aspecto ecumênico. Nisso se pressupõe que o Espírito de Deus sopra livremente a todos e em todas as geografias o quanto quiser.
O que faz a letra viver?
As palavras muitas vezes parecem mortas pois não possuem por trás de si uma vida. A coisa que tem mais capacidade de fornecer sentido ao que falamos é a vida que vivemos.
Moltmann é um homem acadêmico, doutor, grande pensador cristão, mas o que lhe diferenciou muito dos outros teólogos foi sua experiência de vida.
Não é difícil perceber que a teologia de Jurgen Moltmann procede, em muito, daquilo que ele começou a viver em Norton Camp, e permaneceu experimentando durante sua trajetória.
Peço a Deus que possamos eu e você, sermos cada vez mais cristãos de letra viva, que transformam carne e sangue em tinta no papel e voz ao ouvidos de quem precisa.
E você? Qual experiência de vida a Teologia pode potencializar em sua vida a ponto de tornar-se uma referência para todos ao seu redor?
A experiência de vida é sua… A formação teológica é por nossa conta!
Colaboração
Pr. Lucas Santos Barbosa
lucasantosbarbosa25@gmail.com
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